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A costa branca da Alemanha

Rügen, a maior ilha do país germânico, esconde um extenso litoral com vista para o Báltico e que foi inspiração de artistas e refúgio de personalidades ilustres.
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tubbenkammer era um dos lugares preferidos de Caspar David Friedrich. O pintor alemão imortalizou nos seus quadros as paisagens desta zona da ilha de Rügen. “A arte verdadeira é concebida num momento sagrado e nutrida numa hora abençoada, ou cria um impulso interior, frequentemente sem que o artista seja consciente disso”, disse Friedrich. Essa hora de inspiração apoderou-se do artista, em mais do que uma ocasião, quando pintava na ilha de Rügen. A obra mais famosa desta série é Os Penhascos de Rügen, assinada em 1818. Reflete a particularidade pela qual é conhecida esta costa: o branco quase impoluto das suas rochas.
O pavilhão de caça de Granitz foi construído em meados do século XIX.

Termas fantasma

Uma das maiores construções da Alemanha nazi encontra-se em Prora. Um complexo de férias que nunca alojou turistas (o projeto terminou com a II Guerra Mundial) mas que recebeu o grande prémio de arquitetura na Exposição Universal de 1937. Abandonado à sua sorte, espera um plano de reabilitação.

Friedrich não é o único nome ilustre associado a Rügen. Cientistas como Einstein, políticos como Bismarck e escritores como Thomas Mann chegaram aos centros turísticos da maior ilha da Alemanha (974 km2). No século XIX e princípios do XX era destino habitual para a classe alta alemã e as suas termas a atração principal. Algumas continuam em funcionamento, assim como o Rasende Roland, um comboio que liga as localidades costeiras da região, a apenas 30 km/hora, pois a via-férrea, com mais de um século de antiguidade, não permite maiores velocidades.
Das cidades termais que povoam Rügen, Putbus é a mais antiga. O seu melhor cartão-de-visita é a arquitetura classicista, senhorial. A este de Putbus encontra-se Binz, onde está outra das joias de Rügen: o pavilhão de caça Granitz. Foi construído no ponto mais alto do sudeste da ilha e a sua peça central é a escada de caracol, com 154 degraus. A uns 14 km de Binz fica Sellin, conhecido pelo cais (outro dos ícones da costa). Muito deteriorado pelas inclemências do tempo, em 1998 foi reconstruído a partir do projeto histórico de 1927. A ponte que conduz ao cais mede 394 m e no seu interior existe um restaurante.
O complexo hoteleiro de Prora foi construído com 10 000 quartos.

Teatro ao ar livre

O festival Störtebeker dá o toque festivo aos verões em Rügen. Trata-se do evento de teatro ao ar livre com maior êxito na Alemanha (100 000 espetadores por ano). A produção para esta temporada é Auf Leben und Tod e estará em cartaz até 3 de setembro.

Nos 574 km de costa da ilha de Rügen existem 60 de praias de areia fina e 27 de praias naturais. Para conhecê-las de outra perspetiva, uma boa alternativa é o veleiro. Outra alternativa é percorrer, de bicicleta ou a pé, as várias áreas protegidas da ilha: o Parque Nacional de Jamunda, o Parque Nacional Vorpommersche Boddenlandschaft e Southeast Rügen (Reserva da Biosfera). Para ir sobre rodas, a via cicloturística de Hamburgo-Rügen é a opção mais popular, embora haja outros trajetos pela costa, sempre com o Báltico como pano de fundo. Para quem prefere uma excursão a pé, o Parque Nacional de Jasmund tem um percurso de 8,5 km, que passa junto ao penhasco. O mesmo penhasco branco que fascinou e inspirou Friedrich.
Além do festival, em Störtebeker há uma demonstração de voo de aves.
Foto: © Störtebeker

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