
Chicago, de ganster a hipster
stá na lista das cidades mais modernas, ao lado de Portland, Austin, Nova Iorque e São Francisco. Mesmo assim, a autoproclamada cidade do vento foge aos estereótipos e não exibe demasiados excessos trendy. Desde o célebre lago Michigan, é possível contemplar o berço dos primeiros arranha-céus dos Estados Unidos da América e o segundo edifício mais alto do país, a Torre Willis, reconstruída após o grande incêndio de 1871.
Chicago é sobejamente conhecida, sobretudo no cinema, pelo crime organizado durante o período da lei seca, entre 1919 e 1933. Dispõe até de rotas turísticas para visitar os lugares mais emblemáticos por onde passaram Al Capone e Bugs Moran, gansters lendários da cidade, que partilham com os contemporâneos hipsters o amor pelos submundos decadentes (que atualmente estão gentrificados).

Irredutível American taste
O restaurante Bangers & Lace representa o amor de Chicago por salsichas e boa cerveja, algo que nunca passa de moda. Lojas de donuts artesanais, restaurantes vegans e menus ecológicos, convivem com as gordurosas pizas de Lou Malnatis e o melhor cachorro-quente do país desde 1948, em Superdawg.
Para além de grandes eventos, como o festival de música Lollapalooza ou o encontro de tendências gastronómicas Taste of Chicago, o pulsar cultural é marcado pelos inúmeros clubes de jazz e pela tradição de pequenas salas que oferecem obras, exposições e concertos. Dos mais de 200 teatros em Chicago, a maioria são companhias independentes com capacidade até 70 pessoas. Exemplos disso são o Steep Theatre e a imaginativa proposta The House.
A autenticidade de Chicago reside na sua falta de pretensões e na grande variedade de subgrupos e culturas que aí convivem. “Aqui os habitantes adotam uma abordagem pessoal muito forte. Um estilo que é discreto, não óbvio, nem exagerado”, afirmam Shane Gabier e Christopher Peters, estudantes do Instituto de Arte de Chicago e fundadores do projeto de moda Creatures of the Wind.

Wicker Park é um dos bairros mais modernos dos Estados Unidos e funciona como um viveiro de ideias, desde os anos 80. John Cusack tinha aqui a sua loja de discos, no filme de culto Alta-fidelidade. Ao longo dos anos, o bairro tem sofrido uma série de liftings e foi convertido no território perfeito para habitantes cool. As suas intersecções (seis esquinas) de Milwaukee, North e Damen acolhem a mítica sala de concertos The Double Door, a loja de vinis repleta de espírito second hand Reckless Records e o icónico Flat Iron Arts Building, ponto de encontro para artistas e músicos de todas as vertentes há décadas.



A vanguarda artística encontrou o seu foco no bairro de Pilsen. Conhecido pela mistura de nacionalidades e pela comida mexicana, destacam-se os murais de rua, como o vibrante Increíbles Las Cosas Q’ Se Ven, do artista Jeff Zimmermann, e as numerosas galerias de arte. Em volta destas, taquerías como ‘Cantón Regio’ de família Gutierrez, moradores ilustres do bairro há mais de 50 anos, e outras curiosidades, como o museu e loja Architectural Artifacts, com mais de 7000 m2 de extraordinários objetos antigos.
O novo hype para 2017 é o bairro do West Side, Ukrainian Village. Igrejas ortodoxas, museus e velhos delis ucranianos cruzam-se com lojas de moda, restaurantes e locais cada vez mais populares, como o Rainbo Club.
Com a pose snob e o vento a empurrá-la, Chicago move-se depressa, como diria Mark Twain: “É impossível o visitante ocasional estar a par do que se passa em Chicago, que supera as suas profecias mais rapidamente do que as que profere. Esta cidade é sempre uma novidade, porque nunca é a Chicago que viste da última vez que cá estiveste”.










