>>>Nimbin: o último reduto hippie
Foto: Lismore City Council

Nimbin: o último reduto hippie

Comunas ainda ativas, caravanas com o símbolo da paz e t-shirts psicadélicas em plena natureza. Viajamos no tempo até Nimbin, o último paraíso hippie.
U
ma aldeia pecuária em declínio foi o palco para a “revolução de Aquarius”, em 1973. Centenas de jovens em busca de um destino encontraram em Nimbin, Austrália, a paisagem perfeita para organizarem o Festival Aquarius. O monte Warming guarda o vale onde mais de 10 mil pessoas se encontraram no “Woodstock australiano”. A cultura underground, a exaltação da liberdade e o contacto com a natureza contribuiu, nesse verão do amor, para o nascimento do movimento hippie na Austrália.
De cima do Monte Warming seremos os primeiros a observar o amanhecer, já que é o primeiro ponto, da parte continental da Austrália, para se ver o nascer do sol.
Foto: Lismore City Council

Let the sunshine in

Quintas abandonadas no meio de uma selva tropical, cascatas e solos vulcânicos. A natureza é quem mais ordena no vale de Nimbin, considerado como um lugar sagrado pelo povo nativo Bundjlung. Um antigo vulcão dorme sob o monte Warming, junto às cascatas Killen Falls e à selva tropical Big Scrub.

Os hippies chegaram a Nimbin e ficaram. Muitos dos participantes no festival instalaram-se na aldeia e formaram comunidades, como a Tuntable Falls, ainda ativa com 200 membros, que pretendiam construir novas formas de vida sustentáveis. Quatro décadas depois, a sua arquitetura peculiar, as furgonetas com flores e os desenhos psicadélicos conferem a Nimbin a decoração perfeita para ficar suspenso no tempo. Parte da culpa cabe de Vernon Treweeke, o pai da arte psicadélica da Austrália. Com a ideia de recuperar edifícios antigos para o festival decidiu desenhar centenas de arco-íris que atualmente continuam a decorar as fachadas.
Para além da estética perdura o espírito da comunidade original que conseguiu encher de esperança a região. Em 1979 conseguiram convencer o governo da Nova Gales do Sul a implementar uma legislação que proibisse a destruição da selva. O movimento verde Greenies continua ativo nos nossos dias, promovendo a tomada de consciência política na proteção da natureza. O estilo de vida pausado e criativo é fomentado com ações como o Festival de Cinema Jovem de Nimbin, o apoio ao consumo de produtos locais e a prática de atividades para o bem-estar, como ioga ou a meditação. Inúmeros projetos artísticos da região estão reunidos no Museu de Nimbin, que, além disso, conserva o testemunho da história da aldeia desde a “revolução de Aquarius”.
Os mercadinhos refletem a miscelânea do lugar, onde podemos comprar desde produtos artesanais e objetos de segunda mão até plantas ou comida caseira.
Foto: RENATO SEIJI KAWASAKI / Shutterstock.com

A região do arco-íris

A área que rodeia a aldeia é conhecida como a Rainbow Region devido aos desenhos que Vernon Treweeke espalhou pela cidade em 1973. Desde então, surgiram novos murais e outros tantos foram restaurados. No 40.º aniversário do festival, Vernon voltou a Nimbin para pintar uma pizzaria.

Com uma população rural de cerca de 10 mil pessoas, distribuídas por todo o território, e umas 350 recenseadas só na aldeia, Nimbin sobrevive ao novo século e continua a ser um foco de atração para mochileiros, lifestylers, aspirantes a hippies e músicos. Como disse o escritor Austin Pick: “De facto, Nimbin é um lugar estranho. É como se uma avenida de Amesterdão, cheia de fumo, se tivesse deslocado para o meio das montanhas”. Aqui as plantas de cannabis convivem com os legumes nas hortas. Ainda que só esteja legalizado o consumo de derivados, os habitantes reivindicam-no com orgulho como mais uma batalha que ganharam ao sistema.
Aqui, a prática de ioga e a meditação não são uma moda, mas um estilo de vida.
Foto: Lismore City Council
À noite, o pó das ruas mistura-se com as luzes das quintas, o fumo da marijuana e os sons da selva. A poesia e o jazz ouvem-se no interior de alguns locais, como o mítico Rainbow Café. O verão do amor está longe, mas a sua essência resiste. “Às vezes pergunto-me porque vivo aqui”, confessa Mandie, uma das fundadoras de Tuntable Falls: “Então, algo realmente especial sucede, olho em redor e volto a aperceber-me de que vivo aqui pela proximidade que existe entre as pessoas, a espontaneidade e a criatividade que se cria”.

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