>>>O culto do sol em Sharm el Sheikh

O culto do sol em Sharm el Sheikh

Onde acaba o deserto e começa a luz do mar ergue-se Sharm el Sheikh. A cidade dos dias deslumbrantes, das praias de anémonas e das montanhas cheias de história.
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á meio século atrás a cidade de Sharm el Sheikh era apenas uma vilória de pescadores que se misturavam com tribos beduínas no extremo sul da península do Sinai. Hoje em dia é o destino estrela da Riviera do Mar Vermelho, graças ao seu invejável fundo marinho, salpicado de restos de naufrágios e de corais de alto mar, e à sua posição privilegiada, abrigada das montanhas desérticas e dos ventos do norte.

Em Sharm el Sheikh o sol brilha durante todo o ano – com temperaturas que oscilam entre os 20ºC e os 35ºC – e alimenta os visitantes que vêm à procura da luz e do calor das suas águas. Longas filas de palmeiras resguardam as praias de areia, divididas entre os cinco bairros da cidade. Entre eles destaca-se Naama Bay, ponto de encontro da cidade e centro de operações para percorrer os quase 50 quilómetros de costa repleta de luxuosos resorts. Construções baixas, inspiradas na arquitetura árabe, com lagoas, cascatas e jardins exuberantes, emprestam à paisagem um toque de romantismo e nostalgia.

Zona playa hotel Four Seasons en Sharm el Sheij.
Em algumas praias o recife de coral aproxima-se tanto da margem que para mergulhar é preciso atravessar molhes flutuantes, como no caso do hotel Four Seasons.
Foto: Iverson Barry/Four Seasons

A cidade dos peixes

A uns 30 quilómetros de Sharm el Sheikh encontra-se Ras Mohammed, o parque marítimo protegido mais antigo do Mar Vermelho egípcio. Uma imersão nestas águas implica aproximar-se do abismo da falha tectónica Oriental Africana, com uma profundidade de quase 800 metros. Quase 1200 espécies de peixes coexistem nos seus pontos mais importantes de mergulho, Anemone City e Jackfish Alley.

À volta desta imagem pacifica desenvolvem-se todo o tipo de atividades de praia que tornaram esta costa a meca dos desportos aquáticos do Egito. Jet ski, windsurf, kitesurf, vela e parassailing são algumas das mais procuradas. Os que preferem manter-se em terra firme têm campos de golfe integrados nos resorts exclusivos, e o parque Ghibli Raceway, um dos circuitos de karts mais completo do mundo, onde é possível conduzir como um piloto de Fórmula 1.

Apesar de, sem dúvida, a atividade que revela toda a magia do Mar Vermelho ser o mergulho. A maioria dos resorts possui um serviço de aluguer de equipamentos e instrutores para ajudar a mergulhar em alguns dos fundos marinhos mais memoráveis do mundo. A ilha de Tiran é perfeita para fazer mergulho de superfície e ver cardumes de peixes moray e barracudas. Blue Hole, em Dahab, é uma fossa submarina vertical com 120 metros de profundidade, mítica pela sua dificuldade e alto risco. E o navio submerso SS Thistlegorm, descoberto nos anos 50 por Jacques Cousteau, é um dos restos de naufrágio mais bem conservados do mundo.

Blue Hole en Dahab.
Para chegar até Blue Hole é necessário contratar um tour em jeep ou camelo, a partir da cidade de Dahab.

À noite, na vibrante Naama Bay, as ruas iluminadas pelos néones e repletas de restaurantes, bares e discotecas, contrastam com a estrada poeirenta que nos conduz até ali. Um ambiente que recorda a costa mediterrânica, com estabelecimentos como Hard Rock Café e Pachá, que se misturam com os típicos cafés beduínos com os seus cachimbos de shisha e almofadas.

Naama Bay al atardecer.
Sharm el Sheikh também é conhecida como a Cidade da Paz, por ter acolhido no passado algumas cimeiras do conflito palestino-israelita.

Alheio a este ruído e confusão, o centro antigo Old Sharm, famoso pelos seus restaurantes de marisco, mantém a essência da origem de Sharm el Sheikh. Uma atmosfera tranquila e oriental também presente no seu porto, onde aquele outro mundo silencioso, repousando sob as águas do Mar Vermelho, aguarda que o sol volte a nascer.

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