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O fim do mundo está na Tasmânia

Three Capes Track abriu ao público com a promessa de “despertar os sentidos”. A rota de trekking mais esperada pelos bushwalkers está à beira do precipício, na remota costa australiana.
A abertura deste trajeto gerou grande expectativa. Quase doze meses antes de ser inaugurado foi assinalado como uma das “experiências de 2015”. No dia 23 de dezembro foi finalmente aberta a rota Three Capes Track: há meses que as reservas estavam esgotadas.
Cape Pillar, Cape Hauy e Cape Raoul são as principais atrações desta paisagem de escarpados íngremes. É que quando se aproxima do precipício percebe porque afirmam, no Tasmania Parks and Wildlife, que a experiencia é o mais parecido que há com o olhar “o fim do mundo”.
A rota foi concebida para não ter um impacto ambiental significativo
Foto: Tasmania Parks and Wildlife

O verdadeiro demónio da Tasmânia

Taz, o personagem dos Looney Tunes, apenas é parecido com ele no nome. Na vida real o demónio da Tasmânia tem quatro patas e é muito tímido. Na ilha da Tasmânia só existe em cativeiro e é o maior marsupial carnívoro do mundo.

Trata-se de um percurso com 46 quilómetros, entre Denman Cove e Fortescue Bay. No total, são quatro dias e três noites de caminho entre as escarpas mais altas da Austrália.
A viagem começa em Port Arthur, uma antiga prisão transformada numa atração turística, considerada pela UNESCO como Património da Humanidade. Ali, um cruzeiro ecológico navega até ao início do circuito, com os golfinhos por companhia durante grande parte da viagem. Já em terra firme é hora de apertar os cordões das botas. A rota foi concebida de modo simples, com passadiços de madeira, escadas esculpidas na rocha e caminhos de gravilha. Esta é, aliás, a principal novidade. Não é preciso ser um especialista do trekking para viver esta aventura. Há apenas encostas e, embora chova, não se forma lama nos lugares de passagem. “Está pensada para todas as épocas do ano”, afirmam, orgulhosos, os responsáveis do Tasmania Parks and Wildlife Service.
Todos os dias, exeto o primeiro que se faz em duas horas, percorrem-se entre 10 a 17 quilómetros. As grutas de Denman Cove e o bosque de eucaliptos, no início do caminho, não dececionam. São o aperitivo do que está para vir. Durantes os três dias seguintes, enquanto caminha junto ao abismo, as escarpas e o mar são a sua companhia. “Sabia que a costa da Tasmânia era bonita, mas nunca tinha imaginado o cenário deslumbrante que se abriu diante de mim”. Estas são palavras do fotógrafo Michael Bonocore depois de sobrevoar os três cabos que dão nome a esta rota.
O demónio da Tasmânia foi declarado, em 1941, “espécie protegida”.
Foto: Bernhard Richter
É quase como estar numa ilha deserta. No seu caminho apenas se cruzará com quatro ou cinco pessoas. E isso faz parte do encanto de Three Capes Track. Por dia, só 48 pessoas podem aceder à rota. Isto porque 48 é o número de lugares disponíveis nas cabanas existentes para pernoitar. Estas construções, equipadas com tudo o que é necessário, aguardam os aventureiros no final do percurso de cada jornada. Nelas encontrará colchões, utensílios de cozinha e tomadas para carregar os dispositivos eletrónicos. Afinal, uma coisa é estar no fim do mundo e a outra que não o possa partilhar no Facebook com os seus amigos.
A última fase do projeto custará 4 milhões de dólares.
Foto: Tasmania Parks and Wildlife Service

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