
Os mil metros mais brilhantes do mundo
Se cada diamante vendido em qualquer parte do mundo fez uma visita a Antuérpia, por que não seguir-lhe o exemplo?
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4% da produção mundial de diamantes em bruto concentra-se apenas num quilómetros quadrado: aquele que rodeia a Estação Central de Antuérpia, entre Hovenierstraat e Rijfstraat. Um negócio lucrativo que junta mais de 1500 joelharias, 350 ateliers e escolas para ensinar a polir estas pedras preciosas. A zona foi batizada como ‘o bairro dos diamantes’. Na cidade belga comercializa-se 40% dos diamantes industriais e 50% dos diamantes polidos. No total, a venda de brilhantes movimenta, anualmente, à volta de 40 mil milhões de dólares. Mais de metade dos diamantes lapidados que se distribuem mundialmente procede desta cidade belga, situada na margem do rio Escalda, a 50 quilómetros de Bruxelas.
O diamante é a substância mais dura que existe e só pode ser cortado por outro diamante ou com um laser especial.
“Os diamantes amam Antuérpia”
Além do nome de uma app oficial, este é também o slogan da AWDC, fundação responsável por representar os interesses do setor e melhorar a imagem junto do público. Estas tarefas são desempenhadas através do Diamond Office, por onde passam todos os diamantes que entram ou saem da cidade belga.
Marilyn Monroe definiu os diamantes como “os melhores amigos de uma mulher” e Antuérpia eleva-os à categoria de arte. Durante dez anos o Museu do Diamante dedicou-se em exclusivo a esta joia, mas depois do seu encerramento o museu MAS (Museum ann de Stroom) ocupou-lhe o lugar. Hoje, as paredes avermelhadas deste museu albergam um pavilhão que ilustra a história do diamante e a sua importância económica para a região.
Comerciantes e colecionadores misturam-se com os apaixonados que procuram o anel de noivado em DiamondLand, o maior showroom de diamantes da cidade. Está situado no bairro judeu, a 150 metros da estação. Aos que investem mais de 2500€ numa compra, o DiamondLand oferece-lhes uma noite num hotel de cinco estrelas. Comprar um diamante na cidade, ou um Cartier, é um privilégio apenas para alguns, mas também se pode visitar Antuérpia apenas para os ver.

O setor do diamante representa 8% das exportações belgas.
A qualidade dos diamantes mede-se pelos ‘quatro Cs’: cor, claridade, carat (quilate) e cut (tamanho). O assunto é-lhe explicado com pormenor na visita guiada gratuita que esta Disneyland do diamante oferece. O showroom permite observar o trabalho meticuloso dos lapidadores de diamantes. O corte de um diamante pequeno pode demorar um bom par de horas, mas se for grande ou complexo serão precisos meses.

A estação central de Antuérpia tem a alcunha de ‘templo do mármore’.
Foto: Pabellon del diamante ©Artur Eranosian
Louis gere uma pequena joelharia familiar nos arredores da Estação Central. Nem todos os joelheiros se podem gabar, como ele, de ter o certificado Antwerp’s Most Brilliant, diploma que se atribui apenas quando uma auditoria verifica que se cumprem os 30 critérios exigidos. Louis trabalha diariamente para manter o selo internacional de qualidade cut in Antwerp. O proprietário conta sempre aos seus clientes que o primeiro anel de noivado foi oferecido por Maximiliano de Habsburgo a Maria de Borgonha. Deste então, cada anel vendido em Antuérpia tem a sua própria história.










