
Portugal consagra-se no firmamento culinário
um apoio à gastronomia portuguesa do mais alto nível. O guia é muito influente a nível mundial e as novas estrelas aumentarão o interesse de visitantes do mundo inteiro”. Estas são palavras de Ricardo Costa, chefe do The Yeatman, após receber a segunda estrela Michelin. Na sua última edição, o mítico guia coloca a gastronomia lusitana numa posição de excelência. Já são 21 os restaurantes distinguidos com uma e duas estrelas, mais sete do que na edição anterior.
Dobrando a aposta
O Yeatman (Vila Nova de Gaia) junta-se, com o Il Gallo d’Oro (Funchal, Madeira), ao clube das duas estrelas, do qual já faziam parte Ocean, Vila Joya (ambos no Algarve) e Belcanto (Lisboa). Enquanto no The Yeatman se apresenta o melhor da região norte do país, assente em produtos frescos como o peixe e o marisco, com uma técnica sofisticada, no Il Gallo d’Oro tem-se por base a cozinha francesa, confecionada a partir de produtos regionais e ibéricos. “O Il Gallo d’Oro é um restaurante que vale a pena conhecer”, assegura o seu chefe, Benoît Sinthon. E tem razão. Este restaurante fica na ilha da Madeira, a uns 800 quilómetros da península ibérica. Pedimos a Sinthon que definisse brevemente a gastronomia portuguesa e ele optou por uma só palavra: sabores.

O sabor do sul
O sul de Portugal, em concreto a zona do Algarve, bem merece uma visita culinária. Além das duas estrelas do Ocean e do Vila Joya, outros quatro restaurantes da região possuem uma: o Bon Bon-Carvoeiro (Rui Silvestre), o Henrique Leis-Almancil (Henrique Leis), o São Gabriel-Almancil (Leonel Pereira) e o Willie’s-Vilamoura (Willie Wurger).
Sabores como o peixe do Atlântico, os estufados ou as sobremesas, elaboradas com ovos e açúcar, estão entre os pratos mais característicos e tradicionais do país. Porém, a inovação também vai abrindo caminho pelos fogões portugueses, sendo que grande parte do bom momento que atravessam se deve a esse progresso. “A cozinha está em constante evolução e é importante para nós acompanharmos as novas tendências”, assegura Costa, que cozinha com o rio Douro como pano de fundo.
Debutantes
Na verdade, o Porto é uma das referências mais importantes no mapa da gastronomia portuguesa. Além das duas estrelas do Costa, outros quatro restaurantes da região figuram no guia (com uma estrela): Pedro Lemos, Largo do Paço, Antiqvvm e Casa de Chá da Boa Nova. Estes dois últimos estão entre os mais recentes vencedores de uma estrela Michelin. O Antiqvvm, localizado na Quinta da Macieirinha, oferece cozinha mediterrânea com técnicas sofisticadas; por sua vez, o prato estrela da Casa de Chá da Boa Nova é a Cataplana de peixe e marisco. Esta receita, uma das mais representativas de Portugal, deve o nome ao tipo de panela utilizada na sua confeção.





O vizinho vai à frente
O guia Michelin de Portugal é publicado juntamente com o de Espanha, numa só edição. Apesar do progresso dos lusitanos, os seus vizinhos já têm vantagem considerável nesta corrida culinária. Nove restaurantes espanhóis possuem três estrelas, 23 locais distinguem-se com duas e 150 com uma.
Em Lisboa, o chefe Alexandre Silva conseguiu a primeira estrela para o Loco, onde prepara receitas portuguesas a partir de técnicas experimentais e inovadoras. Silva, que ganhou o concurso televisivo Top Chef em 2012, aposta fortemente nos produtos orgânicos e de época. Também na capital, o restaurante Alma pode orgulhar-se do mesmo reconhecimento a partir deste ano. A sua cozinha, dirigida por Henrique Sá Pessoa, combina sabores portugueses e asiáticos. A lista dos novos vencedores fica completa com o LAB, do catalão Sergi Arola (Sintra), e com o William no Belmond Reid’s Palace (Funchal). E há ainda um outro restaurante que a recupera: L’And, no Alentejo.

Produtos locais, com novas técnicas e alguma combinação internacional, são a base da revolução que a gastronomia portuguesa está a viver. Para atingir o topo, só falta a chegada da terceira estrela a alguns destes locais. Parece que o mais bem posicionado para o conseguir é o Belcanto, em Lisboa, onde o preço de um menu ronda os 145 euros. À frente da cozinha deste restaurante está José Avillez, considerado o melhor chefe de Portugal. Porém, terá de trabalhar arduamente para ser o primeiro a consegui-la, porque a concorrência é cada vez mais forte (e estrelada).










