
África do Sul há só uma (mas tem muitas faces)
frica não existe”, dizia o jornalista polaco Kapuściński, mas se existisse estaria algures entre Joanesburgo e o Kruger Parque. A viagem que lhe propomos tem de tudo: animais selvagens, natureza e gastronomia. Um percurso diferente por (quase) todas as faces de África, incluindo a mais afastada dos safaris e da savana, para que se possa deleitar nos restaurantes de fusão e nas galerias de arte.
Tudo começa na cidade mais povoada da África do Sul. Aquela que até há pouco tempo não era mais do que uma escala na rota para o Kruger, tornou-se um destino por direito próprio. Joanesburgo – mais conhecida como Joburg ou Jozi – é a nova cidade cool do sul de África, um paraíso hipster que exibe talento emergente e espaços criativos. Tudo isto se vê em bairros como Braamfontein, onde está situado o Wits Art Museum, ou em Maboneng, cuja avenida principal reúne os foodies da cidade. Entre os melhores restaurantes deste bairro estão o Pata Pata, que combina pratos tradicionais e música jazz, e o Urbanologi, com a sua fusão entre sabores do Médio Oriente e o melhor da cozinha africana. Outro dos pontos de encontro é o 27 Boxes, no bairro de Melville, um centro comercial que acolhe chefs, estilistas e empresários de vários ramos e que atrai uma “fauna” muito diversificada.

Apesar do ambiente de megalópolis, Joanesburgo não renuncia às suas origens e os grafítis nas paredes não deixam esquecer que estamos no território dos big five. Manadas de zebras e elefantes coloridos aparecem de forma inesperada, como os de carne e osso, e são fotografados com o mesmo fervor pelos turistas. Funcionam como uma antevisão daquilo que os espera no Parque Nacional Kruger, a joia da coroa da África do Sul.
Poderá chegar ao Kruger Parque de várias formas. A preferida para quem tem pouco tempo é o avião. Há três aeroportos nas proximidades do parque, com voos diários a partir de Joanesburgo e da Cidade do Cabo. Outra opção é alugar um carro e começar o safari com uma pequena road trip pelas paisagens africanas. A Rota Panorâmica é uma das mais espetaculares, com as suas colinas verdejantes e cascatas assombrosas. Pode ser percorrida antes ou depois da visita ao Kruger e, em função do tempo disponível, poderá explorar esta rota com mais ou menos detalhe, podendo fazer mesmo uma rota de trekking ou de bicicleta.

A estrela da Rota Panorâmica é o Blyde River Canyon, o terceiro maior canyon do mundo, logo a seguir ao Grand Canyon norte-americano e ao Fish River da Namíbia. Coberto por uma espessa camada de vegetação, é um dos recantos mais fotografados da África do Sul, juntamente com a Table Mountain da Cidade do Cabo. Ao lado encontrará outras atrações naturais do país, entre as quais se destacam as formações rochosas do Bourke’s Luck Potholes e a Janela de Deus, um miradouro natural a 800 metros de altura, quase sempre coberto de neblina.

A última paragem (ou penúltima se decidir fazer a road trip mais tarde) vai surpreender até os viajantes mais informados. A África que imagina, a dos safaris e dos leões, nunca dececiona. E muito menos o Kruger Parque. Com quase 20.000 quilómetros quadrados, o maior Parque Nacional da África do Sul é quase um país – tem praticamente o mesmo tamanho da Eslovénia e quase o dobro da Jamaica ou do Chipre. A sua população é formada pelos 17.000 elefantes, 48.000 búfalos e o resto das 147 espécies de mamíferos, 507 de aves e 114 de répteis que habitam o Kruger. Entre a vegetação e os baobás, convivem pacificamente com os visitantes que os observam à distância, de máquinas fotográficas e binóculos na mão.
Só no regresso da viagem, depois de ver as fotos de Joanesburgo, Kruger e Blyde River Canyon, ficará realmente convencido de que, apesar da frase de Kapuściński, a África existe. O que acontece é que há muitas. E nós adoramos todas.









